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Mishmash Marketing

Basicamente é "uma mixórdia de temáticas" de Marketing!

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Basicamente é "uma mixórdia de temáticas" de Marketing!

Marketing - O Vendedor

Não sei se sabem quais são as 3 palavras mais odiadas em Portugal, mas aqui fica a dica:

1 - Político

2 - Advogado

3 - Vendedor

Depois de visto este ranking de palavras pouco abonatórias e tendo em conta que o meu primeiro emprego foi, Ser Vendedor, deveria realizado que algo não iria correr bem… Mas como sou positivista por natureza lá olhei para cima e verifiquei que afinal existem outras duas categorias profissionais que estão em muito “piores lençóis” do que eu estava. Mesmo a palavra Politico ser a mais odiada e verificando o valor e as regalias que esta classe aufere, não me importava de fazer parte do leque destes “seres odiados” ou nahhhh… Portanto, partindo desta premissa, no deve e no haver, de facto quem está realmente mal, são os Advogados e os Vendedores.

Mas voltando ao cerne da questão, o meu primeiro emprego foi Ser Vendedor de automóveis, ainda por cima estava eu “verdinho e acabadinho" de sair da faculdade, um género de caloiro no mundo laboral. Chego ao stand e tenho uma reunião com o meu chefe de vendas o qual me explica a minha função que se resume duas palavras: “Vender Automóveis”. Eu logo indaguei o mesmo com a seguinte questão:

  • Desculpe mas vão dar-me formação para desempenhar da melhor forma o meu trabalho?

O meu chefe olha para mim com ar de “poucos amigos” e diz-me:

  • Formação? Está lá fora na rua, aqui estão os catálogos dos automóveis que tens que vender, aqui a tabela de preços e de descontos agora vai lá para fora vender (no principio pensei: “será que isto é a minha praxe? Mais tarde verifiquei que era a realidade nua e crua!

Eu completamente atónico penso comigo… “4 anos de faculdade e não me preparam para vender um simples automóvel?” Estou F%$#&!

Desço as escadas e penso para comigo, deixa lá ver como os meus colegas fazem e desta forma tentar perceber como funciona a coisa. Chego lá abaixo e vejo os 4 colegas todos “bem-vestidos”; sapatinho de verniz a brilhar, fato e gravata tudo bem engomado e eu olho para mim e vejo os meus jeans, a minha camisa por fora das calças e os meus mocassins… e penso, ups, já começo “bem”…

No dia seguinte lá me visto a rigor como quem vai para um casamento, lá vou comprar a dita malinha preta para colocar os kilos de catálogos, a dita tabela de preços e descontos e faço-me à  rua para vender. Todavia, em vez de se traduzir em vendas, senti que estava mais numa passagem de modelos no meio da rua, pois nesta fase inicial somente mostrei o fato, a gravata e a malinha preta e coloquei pó nos meus sapatinhos de verniz, pois efectuar vendas foi o que não fiz.

Reparava que quando fazia prospecção, mal abria de uma empresa ouvia logo uma voz ao fundo vinda da recepção a dizer-me acerca da pessoa da qual eu ainda não tinha perguntado que a mesma: “estava em reunião…” “não se encontra na empresa…”.

Logo pensei estas pessoas do mercado de trabalho mais experientes do que eu já conseguem adivinhar e ler a minha mente, pois já sabem que venho cá fazer e estão a poupar-me as solas dos meus sapinhos de verniz bastante brilhantes, para estes não fazerem os restantes 10 metros até eu chegar á recepção onde “esta voz” estava sentada.

“OK”, penso eu e lá saio e vou para a rua e tento outra empresa.

Antes de entrar na empresa, alguém me diz:

  • Amigo somos todos católicos aqui não precisa de vir vender bíblias de outras religiões.

Ao qual eu respondo:

  • Sou vendedor de Automóveis e gostava de falar com a pessoa responsável pela gestão da frota do parque automóvel para apresentar os serviços da minha empresa. Uma vez mais oiço a mesma resposta:
  • A pessoa não está, ou está novamente em reunião (muito se ausentam estes gestores e muitas reuniões fazem… comigo seria mais uma reunião, penso eu…)

Depois de muitos “nãos” e de me confundirem com um vendedor de bíblias lá pensei, isto de ser vendedor não é nada fácil. E também reconheci uma verdade: coitados dos vendedores de bíblias.

Lá reconsidero que seria melhor abandonar o fato, a gravata e os sapinhos de verniz e voltar para a minha roupa não tão formal. Lá volto a buscar os mocassins, os jeans, aproveitei a camisa e o blazer dos fatos, e lá me desfiz da malinha preta.

Passado 6 meses findo o meu contrato, continua o infortúnio de não vender 1 único automóvel. Uma coisa positiva em 6 meses foi que já conseguia ultrapassar a porta de entrada das empresas e chegar até á recepção e em alguns casos conseguir com que a pessoa responsável pelas frotas dos carros estivesse na empresa e me reunisse com ele.

Fazendo as contas: final de contrato, 6 meses - 0 carros vendidos (score pouco favorável a meu favor).

Penso então numa profissão alternativa para mim já que Ser Vendedor não serve. Irei tentar ser gestor de frota automóvel de uma empresa destas que visitei, pois nunca estão na empresa logo deve ser porreiro ter tanto tempo livre.

Sou chamado pelo chefe ao gabinete e lá penso: “vou p´rá rua”.

Começa ele:

  • Ora bem 6 meses e 0 carros vendidos. O que acha?

Eu penso para comigo mesmo, uma M#$%&… Mas lá dei a resposta politicamente correcta (sim aprende-se muito na questão de dar respostas como os políticos…sim essa dita palavra mais odiada em Portugal.)

  • Sei que os resultados são péssimos e muito maus, mas fiz todos os possíveis para que fossem diferentes, mas simplesmente não resultou.

O chefe olha para mim e pergunta:

  • Sei que visitou muitas empresas nestes últimos 6 meses, sei que começou a ser diferente do restante staf da empresa e a tentar vender automóveis on-line. Sei também que atende bem os clientes pois eles recomendam os familiares, os amigos para regressarem ao nosso stand e serem atendidos pelo Caxineiro (alcunha pelo qual era conhecido no trabalho e pelos vistos pelos clientes também). Sei que pensa que vai embora, mas de facto irá continuar connosco e verá que esta tendência irá mudar, tal como mudou a sua forma de vestir (não percebi se era um elogio ou um desagrado por deixar o fato e a gravata a ganhar mofo e teias de aranha no guarda roupa.

Passados outros 6 meses já era um dos melhores vendedores da marca e dos mais acarinhados pelos clientes, porque a minha estratégia de vendas centrou-se nos seguintes pilares:

1 - Ser vendedor é ouvir muitos nãoos, muitos não está, muitos está em reuniões e continuar a lutar por um “NIM” até por fim encontrar um SIM.

2 - Ser diferente, enveredar por uma estratégia de marketing digital aliada ao marketing tradicional (vendas de carros on-line em 2005 diziam que era doido, e neste tempo vendia no Site Standvirtual o qual na altura era grátis. Vejamos como está este site agora: além de se pagar já acrescentou ao seu leque de actuação: imobiliário, seguros, sinistros, etc… nada mau para o dono do site que deve ter sido um “louco” naquela altura, agora deve estar no Web Summit como um dos grandes oradores…)

3 - Ser o mais casual possível, não sendo abandalhado na forma de vestir, mas fazer com que as pessoas olhassem para mim como se fosse um ser humano e não alguém que estava prestes a “dar o nó”.

4 - Lembrar-nos que a máxima fundamental do Marketing e na vida é “Criar Valor” pois todos os clientes e pessoas querem que criemos valor nas coisas, nos produtos, nas empresas, na familia, etc…

5 - Finalmente, esquecer a velha máxima do marketing tradicional de que temos de vender produtos. Em contrapartida devemos enveredar pelo novo paradigma dos dias de hoje em que a Nova Máxima, que eu apoio e uso no meu dia a dia: VENDER RELAÇÕES! Se nós conseguirmos Vender-nos a Nós Próprios tudo o resto vem por acréscimo.

 

N.Santos